LANÇAMENTOS / Reimpressões
Administração e Gestão Empresarial
Auto-Ajuda
Comunicação, Propaganda e Marketing
Diversos
Educação
Economia e Finanças
Gerenciamento de Projetos
Gestão Hospitalar
Gestão Pública
Jogos & Dinâmicas
Manutenção
Meio Ambiente
Negociação e Vendas
Pequenas Empresas
Qualidade e Produtividade
Recursos Humanos
Responsabilidade Social
Serviços
T&D
Turismo e Hotelaria
Azaan
Dunya




  Imprensa
Untitled Document

A GERÊNCIA E
150 ANOS DE DARWIN

 jorgeraggi@geoconomica.com.br

A completar 150 anos, a obra de Darwin vem sendo tema de mostras e congressos no mundo e no Brasil. A Universidade de Cambridge disponibilizou sua obra completa (http://darwin-online.org.uk), apresentando o autor à era do conhecimento. Esses fatos reforçam o caráter inovador e atual de seus estudos sobre o comportamento das espécies e, em especial, da nossa natureza humana.

Muito dos conteúdos investigados por Darwin podem ser assimilados no trabalho gerencial que exercemos atualmente. O foco deste artigo é exatamente este: evidenciar o quanto podemos ganhar integrando a teoria da evolução na gerência. Darwin precisou ser um bom gerente. Ao escrever e publicar “Sobre a Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural, ou A Preservação de Raças Favorecidas na Luta pela Vida” em 1859, ele nos surpreende atualmente com sua capacidade de levantar dados, testá-los, replicar, organizar e trabalhar com colaboradores. Após a publicação da “A Origem das Espécies” foi preciso muitas lutas a um nível que, um de seus defensores, T. H. Huxley foi chamado de “buldogue de Darwin”.

Utilizando as próprias palavras do autor, podemos aproximar a teoria da evolução à prática da gerência.

Em 1838, Darwin iniciou estudos e anotações nos seus cadernos de um livro que precisou de 34 anos para elaboração : “A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais”. Consiste na descrição dos fatos observáveis, nas inúmeras contribuições que recebeu ao redor do mundo. Possuía métodos de pesquisa, de testes, para estudos de comportamentos, de ações, que podem ser aplicados ao treinamento gerencial. Um exemplo é sobre como lidar com emoções: “A livre expressão de uma emoção por sinais exteriores a intensifica. Por outro lado, a repressão de todos os seus sinais exteriores, até onde isso é possível, atenua a emoção. Aquele que se permite gestos violentos aumenta sua raiva; aquele que não controla os sinais de medo sentirá ainda mais medo; e aquele que permanece passivo quando dominado pela tristeza perde sua melhor chance de recobrar alguma flexibilidade mental. Isso resulta em parte da íntima relação existente entre todas as emoções e suas manifestações exteriores; ...” (DARWIN, 2000, p.340). Ele cita, a seu favor, “Hamlet” de Shakespeare que mostra que até mesmo a simulação de uma emoção pode fazer com que ela cresça em nossa mente.

Em “A Origem do Homem” diz que “ O progresso parece depender do concurso simultâneo de muitas condições favoráveis, demasiado complexas para que permita seu acompanhamento” e acrescenta a seguir, “ ... já se observou muitas vezes que um clima frio pode ser altamente favorável, senão mesmo indispensável, à implantação da indústria e ao desenvolvimento das artes. Pressionados pela necessidade, os esquimós fizeram várias invenções engenhosas, mas seu clima é rigoroso demais para permitir um progresso contínuo.” (DARWIN, 2004, p.113). Não há fórmulas para o sucesso, e este não é replicável nas ações humanas, depende de muitos fatores, gerando complexidade, profundidade, interatividade, e inovação. Só podemos dizer que uma ação teve êxito quando finaliza. Focando no trabalho, há necessidade, do que nós podemos denominar de uma Sorte-Gerencial, o encontro do estar preparado com a oportunidade, sinergia entre talento e ambiente. Neste extenso livro, dedica mais da metade do texto à seleção sexual, a provar que “o poder de encantar a fêmea às vezes tem sido mais importante do que o poder de eliminar outros machos em batalha.” (DARWIN, 1974, p. 269). E, corrige um erro que reconhece, estudando a importância da cooperação na evolução entre os animais, e em especial desde o início da humanidade, acrescentando que nenhuma tribo cresce se o roubo e a traição forem considerados normais.

Assim, é da batalha natural, é da fome e da morte que advém o mais elevado objetivo que somos capazes de conceber: a produção de animais superiores. Existe efetiva grandiosidade neste modo de encarar a Vida que, juntamente com todas as suas diversas capacidades, teria sido insuflada numas poucas formas, ou talvez numa única, e que, enquanto este planeta continua a girar, obedecendo à imutável Lei da Gravidade, as formas mais belas, mais maravilhosas, evoluíram a partir de um início tão simples, e ainda prosseguem hoje em dia neste desenvolvimento.”(DARWIN, 1985, p. 366). Em “A Origem das Espécies” é demonstrada a batalha na vida através dos tempos geológicos, muito acima dos tempos humanos, onde exercemos a competição, a cooperação, a violência, a sedução e a traição, e muitos outros comportamentos que temos profundamente arraigados. Nós podemos modificar comportamentos sociais, mas os que possuímos e que nos identificam como espécie ainda não temos condições de alterá-los. Um dos ganhos que podemos ter no estudo de Darwin é conhecer a complexidade, a profundidade, a interatividade e inovação nos comportamentos e ações, para poder administrá-los melhor no trabalho e na vida.

No seu diário, 09/04/1832, no Rio de Janeiro, na viagem ao redor do mundo no navio Beagle, com 23 anos de idade, numa de suas excursões dentro do continente, “ Logo que chegávamos, era nosso costume desarrear os cavalos e dar-lhes milho; então, com um cumprimento de cabeça, perguntávamos ao proprietário se ele poderia fazer o favor de nos dar algo para comer. ‘qualquer coisa que quiserem’ era a resposta habitual. Nas primeiras vezes, agradeci em vão à Providencia por ter nos levado a um homem tão bom. À medida que a conversa prosseguia, a situação geralmente se tornava lastimável.
 - O senhor pode nos fazer o favor de nos servir peixe?
 - Oh! Não, senhor.
 - Sopa?
 - Não, senhor.
 - Pão?
 - Oh! Não, senhor.
 - Um pouco de carne seca?
 - Oh! Não, senhor.”
Alguns dias depois, no Rio Macaé, narra “atos de atrocidade que só podem acontecer num país escravocrata”. Devido a uma briga, o proprietário iria separar os homens e vender as suas mulheres e crianças num leilão público. Foi um outro interesse que surgiu e impediu a ação. E, Darwin assegura que era um homem que em humanidade e bons sentimentos era superior à maioria. “Pode-se dizer que não há limites para a cegueira advinda do interesse e hábitos egoístas.” Menciona um caso, aparentemente sem importância, que o impressionou mais do que uma crueldade. Numa travessia de balsa, tentando se fazer compreender na companhia de um escravo, começou a falar alto a gesticular e passou a mão perto do rosto dele. “Ele, suponho, pensou que eu estava com raiva e ia bater nele, pois, imediatamente, com um olhar amedrontado e os olhos semi-cerrados, baixou os braços. Nunca esquecerei do meu sentimento de surpresa, desagrado e vergonha, ao ver um homem grande e forte com medo até mesmo de desviar-se de um golpe dirigido, como pensou ele, para seu rosto. Este homem havia sido treinado para suportar uma degradação mais abjeta do que a escravidão do animal mais indefeso.” (DARWIN, 1966, p. 16-22)

A proposta do livro “Sorte-Gerencial: A Ação Inovadora”, em fase de revisão, é introduzir os conhecimentos da biologia evolutiva, advindo principalmente de Darwin, Bertalanffy, Piaget e Bowlby, onde apresento as proposições : 1 ) A Sorte-Gerencial pode ser uma inovação para a compreensão da complexidade, profundidade e interatividade para alcançar o sucesso. 2 ) A cooperação é mais importante do que a competição na nossa organização social e na gerência. 3 ) Métodos para ampliar a percepção, como os de Darwin em “A Expressão das Emoções”, pode desenvolver a consciência gerencial. 4 ) O desenvolvimento da consciência talvez significa uma mudança de paradigma da imagem social que possuímos para nossa verdadeira natureza humana, que ainda temos muitas resistências para aceitar..

Notas:

O estudo da obra de Darwin, na ordem inversa das datas de suas publicações, pode ser mais interessante : “A Expressão das Emoções”, 1872 - “A Origem do Homem”, 1871 - “Origem das Espécies”, 1859.

Bibliografia Utilizada de Darwin, Charles :
A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais. São Paulo. Cia. das Letras. 2000
A Origem do Homem e a Seleção Sexual. Belo Horizonte. Editora Itatiaia. 2004
A Origem do Homem e a Seleção Sexual. São Paulo. Ed. Hemus. 1974
Origem das Espécies. Belo Horizonte. Ed. Itatiaia. 1985
O Beagle na América do Sul. São Paulo. Ed. Paz e Terra. 1996


 
 
 
 

 

Qualitymark Editora - R. Teixeira Júnior, 441 - São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ- CEP: 20921-400
Tel: (0XX21) 3860-8422 / 3295-9800 - Fax: (0XX21) 3295-9824 - Ligue Grátis: 0800-263311 - dias úteis das 08:30h às 17:30h.
E-mail: quality@qualitymark.com.br - Desenvolvimento: Vertis

Todos os preços dos livros no site estão sujeitos à alteração sem aviso prévio de acordo com critérios
adotados pelo Departamento Comercial da Editora.